OLHAR… Por uma legitimação do sensível.

Com os pés descalços e uma leitura que lembrava aos contos da infância, Nirvana Marinho se deslocava dentro e fora da roda de artistas participantes, caminhava cada palavra buscando um lugar para se deter e continuar sua fala. Escolher é uma ação política de legitimação, e na seleção de obras de arte, a legitimação é de fato inerente. Marinho fazia alusão a uma certa legitimação da curadoria, uma legitimação do sensível: “olhar, olhar, olhar e olhar de novo”, nada substitui o olhar. Olhar da história da obra, do processo e do contexto aonde a obra foi criada.

Entre as várias das sugestões, a curadora propus uma utopia: “reduzir a distancia da memória individual, coletiva, presentificando a memória no embate com o passado sempre em extensão”. O curador é um criador de contexto. Marinho estendeu os braços para diversas direções: “procura estabelecer ações ao redor, nas relações possíveis a partir de um ponto: criar dialogo… conversas que se estabelecem entre duas o mais pessoas, entre linhas, entre corpos, entre ações, entre historias, entre memórias, entre inventos, entre falas, entre linguagens…” E certamente, Marinho não parou de trazer autores, citações, experiências alheias que interagiam com essa circunstancia. Assim, quando a palavra começou a circular se abriram janelas a partir de distintas experiências: que tipo de poder tem o curador? Qual é o recorte que o curador está utilizando para escolher uma obra u outra? Mesmo quando o recorte se faz no processo, o curador tem que ser ante todo transparente.

A curadoria precisa ser um espaço sensível de convivência, de proporcionar encontros, ou seja, deslocar o entendimento de curadoria como um modo de poder para um modo de partilha. Para Marinho, isso é uma premissa, um pacto de pós-colonizados, urgente.

Texto: Maria Laura Corvalán         Fotos: João Milet Meirelles

Comunicação da PID

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