Foto: Tiago Lima
Susana Tambutti (Buenos Aires), diretora do Instituto de Investigación del Departamento de Danza del Instituto Universitario Nacional de Arte (IUNA), traz um discurso provocador, cheio de nomes e fatos que denunciam a instabilidade e fragilidade das condições em que se move a dança na Argentina e, portanto, a grande limitação para desenvolver uma pratica curatorial independente.
Estamos nos submetendo constantemente a um tipo de lógica de criação que vem de outros lugares. Ficamos num lugar de subalternidade e nos tornamos consumidores de cultura mas não produtores dela. Desta forma, Tambutti expressa a dificuldade para achar uma descolonização, numa lógica em que não há somente a dependência econômica mas também cultural.
Obra: ‘Muaré’ (acima, à esquerda) - foto: Tiago Lima. Obras: ‘ABC da Diferença’ (acima, à direita); ‘Trajeto com Beterrabas’ (abaixo, à esquerda); ’Cururú’ (abaixo, à direita) - fotos: João Milet Meirelles.
Nessa via, a diretora opina que a pratica curadorial deveria ser uma disciplina autônoma das referências eurocêntricas, que assinalaram originariamente a narrativa da dança como arte. Portanto, o curador precisa ter uma base histórica importante e um exercício de crítico que estabeleça valores porque é ali aonde o curador pode iniciar uma nova narrativa havendo outro relato, não somente o relato histórico. Assim, Tambutti sugere que a pratica curatorial é uma pratica discursiva, isto é, cria um discurso das obras que foram selecionadas. Porque o que sucede no conjunto de obras também é uma narração que conta uma história, como se cada obra fosse um capítulo de um livro.
Deste modo, o curador se torna um deslocador de sentido que gera um discurso, mas não impõe uma tendência. O texto do curador tem que gerar uma reflexão.
Não há ingenuidade possível.
Texto: María Laura Corvalán
Comunicação da PID

































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Linda