O que há no meio da relação entre dois corpos? De que modo é possível conectar-se com o outro? Quais são as forças em jogo para nos relacionar com o outro? As duas obras uruguaias que se apresentaram na Mostra Internacional da PID, parecem se encontrar numa busca similar sobre questões em torno da relação com o outro.
Periférico Projecto Tango, sobre a direção de Federica Folco, é um projeto baseado na investigação dos códigos do tango – corporais e sociais. Ele se propõe a “desierarquizar os lugares do homem e da mulher que, no tango mais ortodoxo, são muito fortes”, explicou Gabriela Farías, uma das dançarinas da obra. Enquanto isso, Sofia Lans, conta que sua origem é na dança contemporânea com algum conhecimento do tango. Entretanto, ela conseguiu entrar com facilidade no Periférico porque o tango é abordado a partir da dança contemporânea e dessa maneira de entender o corpo.
Por sua vez, a obra “Compañía”, de Carolina Silveira, arma um jogo de interlocução com o “outro”, desvendando a permanente afetação do outro nas lógicas de funcionamento dos comportamentos que nem sempre se mostram coerentes às circunstancias.
Esses artistas nos propõem distintas alternativas para pensar como um trabalho de colaboração entre dois corpos implica muita disposição e vontade de ambos. Desarmar o abraço, explorar mais possibilidades para flexibilizá-lo, sensibilizá-lo a cada situação.
Texto: María Laura Corvalán Foto: João Milet Meirelles






























