ABERTURA DA “PLATAFORMA INTERNACIONAL DE DANÇA” JUNTO COM “DANÇANDO NOSSAS MATRIZES” Um exemplo de ação colaborativa

Talvez por descuido, por desconhecimento ou por limitações externas. Tanto faz a causa, o fato é que os dois eventos de dança “Plataforma Internacional de Dança” e “Dançando nossas Matrizes” coincidiram em começar no mesmo dia e no mesmo ambiente:  Espaço Xisto Bahia. O fato é que eles aproveitaram a circunstância para juntar forças e ter um início comum. Assim podemos dizer que os representantes de cada evento – Nirlyn Seijas e Catarina Gramacho da PID, Matias Santiago e Soiane Gomes de DNM – deram a abertura com uma “coreografia verbal”. Através dela, eles expressaram seus desejos de obter um espaço de encontro para pensar a sustentabilidade, a distribuição e a reflexão sobre possíveis ações em conjunto para direcionar as necessidades do campo da dança.

Kátia Costa, coordenadora do Espaço Xisto Bahia, manifestou um grande orgulho e prazer em receber dois projetos como esses que se propõem a discutir internamente as problemáticas da própria dança para intercambiar idéias e experiências. Costa, ainda esclareceu que esse trabalho não é de duas ou de três pessoas, mas “é um trabalho de construção coletiva que envolve artistas, governo e comunidade”.

Profissionais do SEBRAE se mostraram muito agradecido pela empresa fazer parte deste encontro e até pediu desculpas pela inexperiência neste tipo de atuação. É que mesmo sendo responsável pela discussão na área de economia criativa, a companhia ainda está tentando aprender (mais intensamente nos últimos dois anos ), sobre como funciona a cultura e, mais especificamente, sobre como funciona a dança dentro de uma estrutural gerencial – uma novidade para eles.

Por sua vez, Leda Muhana, diretora da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia, assinalou que é muito importante para a faculdade participar, estimular, fomentar e viabilizar os encontros que prevêem intercâmbios e espetáculos em diversos níveis. A diretora advertiu que isso custou muito para a acontecer e se remeteu aos inícios da década de 70 quando ocorreu o primeiro grande evento brasileiro de dança, um concurso e, como tal, competitivo.

Depois dessa oficina, que com os anos perdeu fôlego e desapareceu, poucos foram os projetos de “encontro” aqui na Bahia de nível nacional e democrático. Porém, Muhana opinou que surge um novo momento de reunir os profissionais da dança do país especificamente para lidar com suas questões: “não dá mais para viver isoladamente. A gente sabe que o grupo pode produzir de forma muito mais rica de que uma pessoa so”. Cada vez mais os esforços conjuntos, as parcerias, tem estabelecido convênios.

Ao fim, a diretora explicou que além da escola ter uma função muito clara, que é a de formação, ela também tem um papel importante em Salvador dentro da área da dança: união, colaboração, suporte, até por questões não só artísticas, mas também políticas. “Segregações já ocorreram ao longo de nossa história, a gente tem histórico de animosidade e a gente percebe que isso só nos faz andar para trás. A gente tem que se unir cada vez mais e, nesse empenho de se unir, cada um tem que ser mais ativo”.

María Laura Corvalán
Comunicação da PID

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